Deuses e Religião
A vila de Stonetop mantém um pavilhão dos deuses, uma construção a céu aberto com santuários a quatro deuses principais:
- Aratis, a Guardiã da Lei
- Danu, a Mãe Terra
- Helior, o Traz-o-Dia
- Tor, o Traz-Chuva, o Cabeça-de-Trovão, Matador-de-Feras
Tor é o deus mais popular em Stonetop, e está associado à própria Pedra A Aldeia de Stonetop, mas todos os quatro deuses recebem o respeito devido. Dependendo dos PJs do seu jogo, alguns deuses podem ser mais importantes que outros. Aratis, por exemplo, terá papel mais destacado num jogo com um PJ Juiz do que num jogo sem ele.
Outras comunidades podem cultuar alguns ou todos esses deuses, talvez com outros nomes, talvez com outros aspectos e tradições. Ou podem ter deuses completamente diferentes, deuses desconhecidos ou não cultuados em Stonetop.
Perguntas
- Quem cuida do pavilhão dos deuses?
- Os deuses de Stonetop formam um panteão coerente? Ou são uma mistura de deuses de culturas diferentes?
- Que deuses menores são reverenciados na sua família/em Stonetop/onde você cresceu?
- Que outros deuses são conhecidos em Stonetop? Algum deles tem santuário no pavilhão?
- Que deus, se algum, você considera seu padroeiro?
Ganchos
- Alguém vandaliza um/todos os santuários do pavilhão.
- O devoto de um deus estrangeiro chega a Stonetop, pregando ritos estranhos.
- Um santo ou profeta de um deus novo ou esquecido surge em Beira-Brejo Beira-Brejo ou na Cava de Gordin A Cava de Gordin, abalando o equilíbrio de poderes de lá.
- Alguém ofende o(s) deus(es) de sua casa; a desgraça se segue.
Verdadeira natureza
"Deus" não é uma categoria distinta de ser. Se um espírito ou entidade recebe oferendas e preces, e responde à altura, então é um deus.
A origem de cada deus é você e sua mesa quem decidem. Um deus pode ser…
- um dos grandes espíritos Poderes Primordiais, presente na aurora dos tempos, ou nascido espontaneamente do tecido da existência, ou feito pelos Primeiros Criadores Poderes Primordiais como zelador do mundo;
- uma Coisa de Baixo As Coisas de Baixo, ou uma emanação dela;
- um espírito do ermo Os Espíritos do Ermo, transformado pelo culto;
- filho de outros deuses, ou de um deus com um mortal;
- um mortal, ascendido/transcendido/renascido;
- um mortal, reverenciado após a morte;
- um espírito nascido das crenças da humanidade;
- um dos acima, mas também parte de uma dualidade/trindade; ou
- um dos acima, mas morto e renascido.
Intervenção divina
Os deuses moldam o mundo de maneiras sutis:
por sincronicidades, sonhos e presságios, ou agindo no mundo espiritual. Até Tor, que às vezes anda pelo mundo, limita-se a pôr os mortais à prova e a conceder dádivas e maldições.
De tempos em tempos, porém, um deus toca um mortal e o imbui de poder divino.
Depois envia esse mortal como seu instrumento no mundo. Tais mortais viram profetas ou santos, heróis ou vilões, e ajudam a moldar o mundo por gerações. Se você tem o Abençoado, o Juiz, o Portador da Luz ou o Brutamontes Marcado pela Tempestade entre seus PJs, eles bem podem ser um desses mortais tocados por um deus.
Se os PJs quiserem que um deus interceda por eles, podem peticionar a ele (veja a próxima página). Se os PJs ofenderem um deus, ou se opuserem a ele, ou de outro modo atraírem sua ira, escreva esse deus como uma ameaça (uma entidade mágica).
Para a maioria das pessoas do Fim do Mundo, religião não é questão de fé ou de moral. É uma questão prática. Os deuses existem e influenciam o mundo. Você realiza ritos e faz oferendas para ganhar seu favor e desviar sua ira. Nem os sacerdotes e afins são necessariamente devotos dos deuses que servem; só sabem o que os deuses esperam e como ler seus sinais.
Há, porém, alguns mortais que sentem uma conexão profunda com seu(s) deus(es).
Esses devotos fazem oferendas de bom grado. Aspiram a imitar seu(s) deus(es), a seguir seus ensinamentos e a espalhar sua glória.
Devotos podem formar irmandades com outros de mesma inclinação, que com o tempo viram instituições: sacerdócios formais, cultos de mistérios, templos e afins. Tais instituições podem ser forças poderosas no mundo.
Podem preservar conhecimento, legitimar líderes, proteger inocentes ou de outro modo estabilizar sociedades. Mas também podem se corromper, engordar de poder e privilégio, e acabar tocadas por cínicos em vez de verdadeiros devotos.
Peticionar aos deuses
A religião é parte esperada da vida diária.
Você ajuda na lavoura, limpa sua casa e dá aos deuses o que lhes é devido.
Não há benefício extra em cumprir os ritos ou as oferendas de sempre. Mas, se você deixar de fazê-los, convida a reprovação dos vizinhos e a desgraça dos deuses.
Os PJs podem buscar o favor dos deuses para Mobilizar (Livro I, A Quimera Sem Vida). Isso envolve tempo e esforço, ritos e oferendas acima do que é comum e esperado. Não deixe de pedir detalhes ao PJ! A que deus(es) ele pede? Que tipo de ajuda busca? Que oferendas faz?
Pense também nas consequências. Que outro trabalho fica por fazer? Como os PDNs reagem? Etc.
Se um PJ buscar uma graça específica dos deuses—uma maldição levantada, uma ferida curada, uma maldição lançada sobre um inimigo, uma resposta ou um discernimento etc.—então que Faça um Plano! Alguns exemplos de requisitos:
Escolha os requisitos conforme o pedido do PJ, o(s) deus(es) a quem ele pede e como costumam ser cultuados, a relação do PJ com esse(s) deus(es) e o quanto os deuses são atuantes no seu jogo em particular.
Deuses menores
São os deuses das casas, de lugares ou acidentes geográficos específicos, de certas tarefas, ofícios ou artes. Muitos são apenas espíritos elementais Os Espíritos do Ermo cultuados num sítio sagrado Os Espíritos do Ermo. Mas outros são espíritos intimamente ligados à humanidade.
Os deuses menores em geral só cuidam do que é seu, vigiando em silêncio sua gente ou seus lugares, mantendo as coisas em ordem ou causando encrenca, conforme seu feitio. Um deus menor pode:
- Revelar o que sabe, do seu próprio ponto de vista, a quem consegue falar com ele
- Acalmar/incomodar/assustar animais ou crianças
- Mover/esconder/revelar um objeto sem dono por perto
- Expressar desagrado por acidentes, infortúnios, descuidos
- Afastar outros espíritos Os deuses menores só se manifestam a crianças pequenas ou ao chamado de alguém como um Abençoado ou um falante-de-espíritos.
Quando se manifestam, trate-os mais como PDNs do que como monstros.
Eis alguns exemplos de deuses menores. Fique à vontade para modificá-los, ampliá-los e fazer perguntas sobre eles aos PJs.
Espíritos ancestrais
Instinto proteger a honra da família.
- Manifesta-se em sonhos, como sussurros de corrente de ar.
- Espera um altar, preces, incenso/libações.
- Notas Como avós que não entendem bem você.
Espíritos do jardim
Instinct (roll ) 1 = to languish
- 2 = crescer sem controle; 3 = exibir-se;
- 4 = retribuir.
- Manifesta-se como gente-flor e criaturinhas.
- Espera os primeiros frutos, água, sangue.
- Notas Muitas vozes falando umas por cima das outras.
Deus da Cisterna
Instinto guardar segredos.
- Manifesta-se como um eco no escuro, como uma figura de névoa.
- Espera água, neve, moedas, desejos.
Notas Quer desesperadamente saber como várias histórias terminam (ou terminaram).
Deus da tecelagem
Instinto recompensar a diligência, punir o perfeccionismo.
- Manifesta-se como uma aranha, como pensamentos à toa.
Espera um pedaço perfeito de tecido para morar, e ao menos um pequeno defeito em todo o resto.
Notas Um trapaceiro (embaraça o fio, arrebenta a urdidura), às vezes um conselheiro sábio.
Deus do uísque
Instinto ir no seu próprio tempo.
- Manifesta-se como uma figura de vapor.
- Espera a cabeça e a cauda de cada batelada.
- Notas Apaixonado por sabores e cheiros.
Espírito da lareira
Instinto pertencer.
Manifesta-se como estalos e sussurros, como uma pessoinha travessa.
Espera saudações calorosas, conversa amistosa, pequenas oferendas atiradas às chamas.
Notas Tagarela baixinho mesmo quando não há ninguém presente.
Espíritos da casa
Instinto ofender-se com facilidade.
- Manifesta-se como pessoinhas gnômicas.
- Espera tigelas de leite de cabra, pedacinhos de pão.
Notas Reclamam alto uns com os outros, resmungam que vão embora se as coisas não melhorarem.
Espírito da soleira
Instinto não gostar de forasteiros.
- Manifesta-se como uma pessoinha rabugenta.
Espera pitadas de sal, uísque derramado, toques reverentes.
Notas Cruza os braços, incha o peito, resmunga.
Veja também os seguintes espíritos elementais (Os Espíritos do Ermo):
• Guardiões das feras (para o rebanho)
• Espíritos da fertilidade
• Espíritos da campina/pradaria/capim (para as lavouras)
• Espíritos da rocha/pedra (para a Pedra ou a Muralha Circular)
• Espírito do riacho/córrego (para o Riacho).
Outros deuses
Para criar um deus novo, escolha ou role 1 ou 2 temas, para quem ele é relevante, sua posição e até 3 observâncias.
| 1 | Soleiras/mudança/artimanha/caos |
|---|---|
| 2 | Competição/violência/assassinato/ guerra |
| 3 | Lua/estrelas/noite/sono/sonhos/ revelação |
| 4 | Perícia/ofícios/saber/escrita/sabedoria |
| 5 | Viagem/comércio/navegação/empreendimento |
| 6 | Sorte/prosperidade/fortuna/destino |
| 7 | Lareira/lar/casamento/família/ comunidade/civilização |
| 8 | Fertilidade/nascimento/vigor/doença/morte |
| 9 | Agricultura/caça/estações/ clima |
| 10 | Música/arte/beleza/paixão/folia |
| 11 | Bravura/justiça/juramentos/proteção |
| 12 | Fogo/renascimento/esperança/luz/sol |
| 1-2 | Uma casa/família específica |
|---|---|
| 3-4 | Uma vila/um bando/um clã em particular |
| 5-6 | Uma minoria dentro de um povo maior (p. ex., ferreiros marchenses) |
| 7-8 | Um povo inteiro (p. ex., os marchenses) |
| 9-10 | Uma minoria espalhada por vários povos (p. ex., ladrões em toda parte) |
| 11-12 | Muitos povos diferentes Uma divindade relevante para vários povos pode ter posição e observâncias diferentes em cada um. |
| 1-2 | Obscuro, esquecido, mal compreendido |
|---|---|
| 3-5 | Evitado, propiciado, aplacado |
| 6 | Reverenciado em segredo |
| 7-9 | Invocado só quando necessário |
| 10-11 | Tratado com o devido respeito e honra |
| 12 | Adorado, louvado, coberto de gratidão |
| 1 | Caridade/o cuidado de __/ o cultivo de __ |
|---|---|
| 2 | Dança/embriaguez/ prática extática |
| 3 | Adivinhação/augúrio/profecia |
| 4 | Preces/cerimônias/ reuniões elaboradas |
| 5 | Confecção de ícones/símbolos/ monumentos |
| 6 | Jejum/privação ascética/resistência extrema |
| 7 | Libações/oferendas de bens materiais (queimados, enterrados etc.) |
| 8 | Peregrinação/vida de eremita |
| 9 | Sacrifício (animal/de sangue/humano) |
| 10 | Tabus/comportamentos proibidos |
| 11-12 | Role de novo, duas vezes, mas uma delas é feita em segredo A partir daí, imagine a esfera de influência específica do deus, como ele é retratado, seus ritos, seus mitos e sua verdadeira natureza. |
Para nomear seu deus, use um destes métodos:
- Escolha uma palavra associada ao deus, traduza-a para uma língua adequada e mude-a um pouco ("soleira" >> "trothwy" em galês >> "Troth")
- Escolha uma divindade da mitologia real ou da cultura popular e mude uma letra ou duas ("Thor" >> "Tor").
Os PJs estão se aproximando do Lago das Três Assembleias de Povo das Colinas O Povo das Colinas os forasteiros longe e conter os horrores do lago. Penso em fazê-los cultuar Helior, mas decido inventar um deus novo.
Começo escolhendo o tema "bravura/justiça/juramentos/proteção", mas rolo também um segundo tema para dar sabor. Tiro 12, focando em "fogo/renascimento". Depois rolo 6 para a relevância ("minoria dentro de um povo maior"), 8 para a posição ("invocado só quando necessário") e 8 para as observâncias ("peregrinação/vida de eremita"). Quero um pouco mais, então rolo outra observância: 5 ("confecção de monumentos"). Olho as verdadeiras naturezas possíveis, penso um pouco e fico com esta: A Mão Branca cultua Gyndorn da Chama Purificadora, uma heroína do Povo das Colinas que liderou uma revolta contra os Construtores de Túmulos Os Construtores de Túmulos, e cujo nome o Povo das Colinas invoca ao encarar o mal profano.
Gyndorn incumbiu seus seguidores de vigilância eterna. Ela chama guerreiros e falantes-de-espíritos de todas as tribos a atravessar uma chama sagrada e renascer como membros da Mão Branca. Os membros da seita seguem em volta dos lagos o mesmo circuito que Gyndorn fez, marcando certos pontos de referência com impressões de mão brancas a cada passagem. E cada bando da seita carrega uma chama consagrada consigo por onde vai.
Depois dê a ele um ou mais títulos, epítetos ou honorificências que reflitam seu domínio. Deuses menores podem ter só um título; "Aquela Que Enfia a Linha na Agulha" pode não ter outro nome senão esse.
Se esse deus for causar encrenca contínua para os PJs ou para a vila, escreva-o como uma ameaça (uma entidade mágica).
O Lago das Três Assembleias, e decidi que um grupo chamado A Mão Branca patrulha a área. Seu deus lhes diz para manter