Bem-vindo a Stonetop
Stonetop é um RPG de fantasia de lareira, ambientado numa idade do ferro que nunca existiu.
É feito para 3 a 5 pessoas jogarem ao longo de várias sessões. Espere que cada sessão dure de 3 a 5 horas.
Decidam quem de vocês será o mestre do jogo. Todos os demais são jogadores. Cada jogador controla e interpreta um personagem de jogador (ou PJ), um dos heróis da aldeia de Stonetop. O mestre controla e interpreta o mundo ao redor deles.
Juntos, vocês contarão as histórias desses PJs e da aldeia que eles chamam de lar. Essas histórias se desenrolarão ao longo de meses ou anos de tempo ficcional.
A maior parte do tempo de jogo vai girar em torno de crises que ameaçam a aldeia, ou de oportunidades de melhorar a vida dela.
Vocês enfrentarão perigos monstruosos e mundanos. Vocês buscarão as maravilhas do passado. Vocês caminharão na chuva e na neve para arrastar algum tesouro até em casa.
Mas vocês também passarão tempo nos momentos lentos e silenciosos. Conversando com o pai perto da lareira. Cortejando alguém. Fazendo a colheita com os vizinhos, ou dançando ao redor da Pedra quando a primavera chega. Vendo as crianças crescerem. Enterrando velhos amigos queridos.
Com o tempo — tanto no jogo quanto na vida real —, seus personagens e a aldeia vão lutar, mudar e crescer. Juntos, vocês contarão uma história que nunca conseguiriam contar sozinhos.
Bem-vindo a Stonetop, amigo.
Bem-vindo a casa.
Expectativas
Stonetop funciona melhor com 3 a 5 pessoas: o mestre e 2 a 4 jogadores. Com só um jogador, parte das regras e dos procedimentos perde a graça. Com 5 jogadores ou mais, fica cada vez mais difícil dividir o destaque, tomar decisões e manter tudo coerente.
É melhor que os jogadores sejam os mesmos de uma sessão para a outra. Os jogadores dão muitas contribuições ao mundo ficcional e decidem juntos como empregar os recursos da aldeia e que projetos levar adiante. Quando há jogadores diferentes a cada sessão, fica difícil manter todos na mesma página.
Premissa
Todos devem aceitar a premissa central do jogo: os PJs são os heróis de uma aldeia isolada numa idade do ferro fantástica. Eles têm raízes na aldeia e se importam com os moradores. As aventuras envolvem defender a aldeia de ameaças ou agarrar oportunidades para o lar deles.
Se você quer jogar com andarilhos sem raízes em busca de fortuna e glória, este jogo não é para você. Talvez experimente Freebooters on the Frontier.
Stonetop vem com um cenário (veja a O cenário). Há bastante espaço em branco para você e seu grupo preencherem durante o jogo, mas se quiser mudar as premissas centrais do cenário, vai dar um bom trabalho.
Compromisso
Uma partida de Stonetop exige várias sessões, cada uma de 3 a 5 horas.
São necessárias ao menos 3 ou 4 sessões para experimentar o jogo de verdade, mas ele funciona melhor no longo prazo, ao longo de dezenas de sessões. Stonetop não é uma boa escolha para partidas avulsas.
Antes de jogar, o mestre deve se familiarizar com o capítulo Primeiros Passos Começando e preparar os materiais de jogo. Se possível, os jogadores devem ler o encarte Visão Geral do Cenário.
Se os jogadores quiserem ler mais, podem ler os primeiros capítulos deste livro: Bem-vindo a Stonetop (este capítulo), Jogando o Jogo Jogando o Jogo e os Livretos
e Encartes Livretos e Encartes. Os jogadores NÃO devem criar personagens com antecedência.
Estrutura
Na primeira sessão, vocês criarão os personagens juntos e os apresentarão uns aos outros. Ao fazer isso, vocês criarão a versão específica de Stonetop do seu grupo. Vocês também rolarão alguns dados para descobrir o que a primeira estação de jogo reserva.
Depois da primeira sessão, o mestre passará algumas horas organizando as anotações e preparando uma aventura inicial.
Nas sessões seguintes, o mestre montará as cenas e os jogadores interpretarão seus personagens. Na primeira dessas sessões, vocês começarão na aldeia de Stonetop e estabelecerão um pouco da vida normal. O mestre então apresentará uma ameaça ou oportunidade, o que levará os PJs a empreender uma expedição.
Notação dos dados
Se você não conhece:
- Um “” é um dado de seis lados, um “” é um dado de dez lados etc.
- “Role ” significa: “Role dois dados de seis lados e some o resultado”.
- “Role ” significa: “Role um dado de dez lados e some um ao resultado”.
A expedição levará uma ou mais sessões para se resolver. Quando os PJs tiverem cumprido seus objetivos, ou fracassado neles, voltarão para casa.
Vocês explorarão como a aldeia reage ao retorno deles (e ao sucesso ou fracasso), e como os PJs voltam à vida normal.
Se o grupo continuar jogando, as sessões futuras avançarão um pouco no tempo.
O jogo ajudará vocês a identificar a próxima situação interessante — o próximo desafio, crise ou oportunidade que precisa ser enfrentado em jogo. A situação provavelmente levará a outra expedição, que de novo levará uma ou mais sessões para se resolver.
Entre as sessões, o mestre provavelmente vai querer passar 1 ou 2 horas atualizando as anotações e se preparando para a próxima sessão. Os jogadores vão precisar, de vez em quando, escolher novas opções para seus personagens, ou pensar no que querem fazer em seguida, ou responder às perguntas do mestre.
Em algum momento, seu grupo vai decidir parar de jogar. Se o interesse diminuir ou a vida real atrapalhar, o jogo pode simplesmente se dissolver — e tudo bem. Mas, com sorte, vocês conseguirão levar o jogo a uma conclusão satisfatória.
Veja Encerrando seu jogo O Jogo em Andamento para conselhos sobre isso.
Conteúdo
Por padrão, uma partida de Stonetop traz os seguintes conteúdos:
- Violência bastante gráfica
- Sequestros, raptos, famílias em perigo
- Intolerância, tensões raciais
- Elementos de horror, como controle mental e possessão
- Corrupção pessoal (especialmente se alguém estiver jogando com o Buscador)
- Fome (ou a ameaça dela)
Outros temas perturbadores e emocionais são perfeitamente possíveis. Converse com seu grupo sobre quaisquer temas que vocês queiram excluir, tratar de forma velada ou abordar de um jeito específico.
Mestres, vejam a Começando para orientações sobre como conduzir conversas sobre conteúdo.
Materiais
Para jogar presencialmente, vocês precisarão de materiais impressos (livretos, encartes e fichas de referência), além de lápis para escrever. Se jogarem online, precisarão das versões digitais dos mesmos materiais.
Vocês também precisarão de dados. Stonetop usa os dados de muitos lados comuns nos RPGs. Como jogador, você precisará de pelo menos e, de preferência, um , um , um e um . O mestre em geral não rola dados durante o jogo, mas vai querer um e um para rolar nas tabelas de inspiração do Livro II: O Mundo Mais Amplo e Outras Maravilhas.
O cenário
A aldeia de Stonetop…
- abriga cerca de 300 pessoas. É um lugar agradável, embora pobre. As pessoas cuidam umas das outras.
- foi construída em volta de uma enorme pedra erguida de origem desconhecida, entalhada com runas apagadas. Raios atingem a Pedra com frequência.
- fica na beira da Grande Mata. Os moradores caçam e armam armadilhas, mas — por um pacto com o Povo da Floresta — nunca derrubam uma árvore viva.
- fica no Fim do Mundo, uma região pouco povoada e salpicada de ruínas. O povoado mais próximo fica a dias de distância.
Vizinhos
O Povo da Floresta desapareceu há dez anos, e ninguém sabe por quê. Será que os Fae — seres mágicos e caprichosos da Grande Mata — tiveram algo a ver com isso?
Horríveis crinwin também espreitam na Grande Mata. Ficaram mais ousados e mais numerosos desde que o Povo da Floresta se foi.
A Cava de Gordin é o povoado mais próximo, uma vila de mineração a quatro dias a oeste.
O Passo da Barreira fica a alguns dias ao norte, nas montanhas; estoico, sombrio, pouco acolhedor.
O Povo das Colinas são nômades que percorrem as Terras Escalonadas, ao sul, e as Planícies, a oeste. Eles desprezam os mineradores da Cava de Gordin.
Beira-Brejo é uma vila de bom tamanho a uns dez dias de marcha ao sul e a leste.
Não há império, nem reis ou nobres — ao menos não por aqui. Vilas e cidades mais “civilizadas” ficam mais ao sul.
Lygos é a cidade desse tipo mais próxima.
Os Construtores
Os Construtores se foram há muito tempo, mas as ruínas deles (muitas do tamanho de gigantes) permanecem.
Stonetop foi construída sobre ruínas dos Construtores: uma cisterna antiga, a Muralha Velha em ruínas, algumas fundações antigas. A Torre em Ruínas fica a cerca de um dia da aldeia. A Grande Mata está cheia de obras dos Construtores, embora boa parte esteja tomada pelo mato.
As Estradas dos Construtores ainda cruzam a região, impossivelmente bem conservadas e muito mais seguras do que deveriam ser. A Estrada Oeste liga Stonetop à Cava de Gordin. A Via Principal cruza a Estrada Oeste a alguns quilômetros da aldeia, indo do Passo da Barreira a Beira-Brejo e além.
Outras coisas dignas de nota
Todos os PJs são humanos. Povos estranhos (como o Povo da Floresta, os Fae ou os Ustrina mascarados de além da Cava de Gordin) existem, mas são pouco compreendidos.
Os sábios sussurram sobre as Coisas de Baixo, entidades primevas de escuridão, corrupção e ruína. O poder delas macula tudo o que toca.
As pessoas têm pavor de água funda. O mal habita ali. Um mal que vai arrastar você para a perdição. Todo mundo sabe disso.
A magia não é comum, nem fácil, nem segura.
Ela pode ser tomada emprestada de espíritos, de deuses ou das Coisas de Baixo, ou arrancada do saber esquecido dos Construtores. Mas não é coisa com que se brincar.
O ferro é o metal mais comum. Bom aço é difícil de encontrar. Ferramentas e armas de bronze são bastante comuns, mas antiquadas e cercadas de superstição.
Os personagens
Como jogador, você escolherá um livreto para seu personagem. Cada um representa um herói local, com laços profundos com a comunidade.
O Abençoado é um sacerdote da natureza que fala com espíritos e feras. Faz magias sutis por meio de marcas e materiais sagrados.
A Raposa é esperta, rápida, habilidosa. Não se acanha em burlar as regras e lutar sujo. Sabe ser bem charmosa.
O Brutamontes não é um sujeito violento qualquer, é o nosso sujeito violento. Um campeão, sim, mas também um risco.
O Juiz resolve disputas, mantém a crônica e se ergue como um baluarte divino contra o caos. Perspicaz e resistente, mas não necessariamente persuasivo.
O Portador da Luz invoca o poder divino por meio da chama e da vela. Um farol de esperança, caridade e misericórdia. Não é grande guerreiro, mas é um inimigo ardente das trevas.
O Marechal lidera a milícia e uma tropa de seguidores. Decide quem vive e quem morre.
O Patrulheiro está em casa no ermo. Um guia engenhoso e um caçador letal.
O Buscador reúne saber e poder perdidos. Tem artefatos potentes que bem podem levá-lo à ruína.
O Aspirante a Herói está cheio de medo e raiva, e metido em coisa grande demais, mas pode muito bem brilhar mais que todos nós.
Por que jogar?
Porque os personagens de Stonetop são incríveis e cativantes, capazes de feitos épicos e ainda assim falíveis e humanos.
Porque o mundo de Stonetop é rico e misterioso, familiar e fantástico. Você e seus amigos podem tanto explorar este mundo quanto ajudar a criá-lo.
Porque aventuras são divertidas, mas ganham mais sentido quando você as empreende em nome dos seus e dos seus parentes.
Porque aqui, no mundo real, nossas comunidades muitas vezes são fraturadas, quebradas, desconectadas. Porque talvez você queira imaginar uma comunidade que funciona, que se une e luta junta e cuida dos seus. Porque jogar é praticar, e praticar é como você muda a si mesmo, como você muda o seu mundo.
Porque Stonetop é, em si, um bom lugar, um lugar pelo qual vale a pena lutar.
E se você não lutar por ela, quem vai?